quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

reflexão sobre as novas tecnologias





Será que os objetos técnicos podem, por um passe de mágica, garantir qualidade na educação? Observo que ocorre transposição, para novos meios, dos conteúdos tradicionalmente ensinados nas salas de aula. Nesse contexto, em que a fantasia se sobrepõe à realidade, a dissociação entre as práticas escolares e as demais práticas sociais persiste: não pode ser aplacada com base em configurações textuais aproximadas, veiculadas nos mesmos suportes, deixando-se de fora a dimensão ética da aproximação desejada. Qualidade na educação passa a corresponder ao emprego, nem sempre criativo e eficiente, de recursos tecnológicos que promoveriam a atratividade dos ensinamentos “oferecidos” aos/às alunos/as ou por eles/elas apreendidos sem uma interferência significativa do/a professor/a. Desejo com este texto convidar o/a querido/a leitor/a a questionar o papel das novas tecnologias na educação, discutir o que se  entende por um ensino de qualidade, assim como examinar a concepção de uma formação, a ser construída nos cursos que preparam professores/as e gestores/as, capaz de imprimir  qualidade à educação e de contribuir para que o uso dos recursos tecnológicos, favorecer uma  discussão sobre cultura. Uma educação de qualidade demanda, entre outros elementos, uma visão crítica dos processos escolares e usos apropriados e criteriosos das novas tecnologias. É necessário refletirmos sobre: globalização no processo educativo, noções de qualidade e relevância na educação, o impacto da tecnologia na escola e qualidade na formação de professores.
Refletir sobre a escola, a tecnologia e a formação de professores/as no mundo contemporâneo significa pensar, especialmente, sobre a necessidade de rever e reverter práticas em que os/as professores/as se tornam subordinados a métodos, discursos oficiais, receituários pedagógicos ou equipamentos tecnológicos.
Nós, educadores/as devemos assumir a assumir responsabilidade social perante gerações de crianças, jovens e adultos sistematicamente expropriados de seus direitos. Para tanto, destinação de recursos públicos, ética, vontade política e respeito à liberdade continuam fundamentais.
 Penso que a tecnologia pode ser um instrumento a serviço ou contra processo de ensino e aprendizagem. Muitas reformas curriculares se referem à escola por meio de modelos, desenhos e políticas centralmente definidos, supondo que é possível mudar à força o real, com decretos, projetos, referenciais ou parâmetros, sem mudar condições e práticas e sem envolver os atores do processo. Além disso, há propostas curriculares em que se adota uma visão radicalizada da tecnologia, ora vista como capaz de agravar os problemas da escola, ora como capaz de resolver os males educacionais.
Bem, tentei refletir sobre as novas tecnologias e suas implicações na escola. Mas como podemos observar os desafios analisados ainda não têm respostas definitivas. No entanto, creio que uma das ações humanas mais importantes, numa perspectiva crítica, é formular perguntas. Dessa forma, com nossos questionamentos e reflexões conseguiremos possíveis caminhos para trilhar com as novas tecnologias.
A temporada de formulação de perguntas está aberta...